O desamparo aprendido é, provavelmente, o problema mais grave que enfrentamos na educação canina, e muito mais comum (embora, naturalmente, em menor intensidade) do que se possa pensar. Diariamente, vemos cães a demonstrar desamparo aprendido durante os passeios. Isto também ocorre em abrigos, entre cães adotados e até mesmo em cães “treinados”. Precisamos de aprender a identificar este estado e mudar a nossa abordagem para que o problema não se agrave ou se torne crónico, pois este estado pode levar o cão a desistir de viver.
É muito semelhante à depressão humana. Em casos graves, podemos falar de cães “partidos”, a viver num mundo sombrio, desprovido de emoções positivas, resignados ao sofrimento do medo e da impotência, com a sensação de não terem controlo sobre as suas vidas. Este estado persiste mesmo que as suas circunstâncias melhorem.
Todos podemos compreender que um cão que sofreu abandono, isolamento e maus-tratos pode entrar neste terrível estado de “desistir”. Mas é surpreendentemente comum em cães que não vivenciaram circunstâncias tão terríveis: estilo de vida, passeios inadequados, a forma como as situações quotidianas são tratadas, técnicas de treino que envolvem forçar ou castigar o cão, bem como treinadores demasiado exigentes que não consideram o stress e a pressão como fatores que podem prejudicar o animal, ou circunstâncias terríveis que o cão não conseguiria suportar, podem também levar à sensação de impotência.
Podemos prevenir e tratar o desamparo. Vale a pena explorar isto mais a fundo, pois estamos a falar de um dos castigos mais terríveis que infligimos aos cães. O desamparo não é nos cães um estado inato e natural. É algo que nós, humanos, quase sempre provocamos, seja por omissão ou por indução.
Abordaremos também alguns problemas comuns, como fobias relacionadas com fogo de artifício, tempestades, ruídos altos e outros tipos de fobias, como o medo de espaços abertos ou a fobia social (contacto físico ou presença de cães/pessoas). A partir da compreensão destas fobias, iremos discutir tratamentos reais e viáveis, adaptados às necessidades específicas de cada problema.
Conteúdo programático:
– O que é o desamparo aprendido? Diferenças entre medo (freeze/congelar) e desamparo.
– Razões pelas quais um cão pode ficar em desamparo. Tipos de desamparo.
– O poder da escolha e o papel da punição.
– Dor social versus dor física.
– Consequências do desamparo aprendido: imediatas e a longo prazo.
– Como ajudar um cão em desamparo: diferentes possibilidades e estratégias com um objetivo comum.
– Fobias comuns e medos intensos.
– Fobias relacionadas com fogos de artifício, ruídos altos e tempestades. Principais causas e possíveis tratamentos.
– Cães com agorafobia.
– Cães com fobia social (presença ou contacto físico com outros cães ou pessoas).
24 e 25 de Outubro de 2026
Porto – Portugal