As exigências e limites na educação de cachorros

Há quatro pontos na educação de cachorros que nos últimos anos se tornaram numa espécie de obsessão:

  • Socialização
  • Regras desde o primeiro dia
  • Obediência desde o primeiro dia
  • Exercício diário 

Há excesso de informação neste sentido e pouco tem a ver com o que na realidade um cachorro (ou cão adulto) realmente necessita. Nas redes sociais, encontramos facilmente sugestões que incentivam as pessoas a fazer e a pôr o cão a fazer, mas há limites porque, tudo o que é excesso, mesmo de algo que deve ser feito, acaba por ser mau! 

Induzir um cão desde cedo a níveis elevados de excitação, estímulos e informação fará com que o cachorro cresça dentro desses padrões. Em pouco tempo temos um cão que se afastou dos seus padrões normais de comportamento, por não ter conhecido outro caminho e por isso terá dificuldade em ter consciência das suas próprias necessidades de exercício e descanso, tornando-se num cão stressado, ao qual chamam de “hiperactivo” ou “com muita energia”.

Á medida que o cão cresce e é sobre-estimulado começamos a notar os seguintes comportamentos:

  • Dificuldade em relacionar-se com outros cães. O excesso de excitação não permite que o cão coloque em prática os rituais caninos, de forma adequada, isto traz-lhe problemas de relacionamento, as discussões e lutas com outros cães.
  • Dificuldade de relacionamento com pessoas. O cão não consegue estar sossegado, salta, morde, ladra, oferece objectos para interagir. Isto porque o que aprendeu foi que “quando estou com pessoas precisamos de estar sempre a fazer alguma coisa”.
  • Destruição. Quando o cão fica sozinho a ansiedade aumenta, não sabe o que fazer porque deixou de ter capacidade de decisão, acredita que precisa de um humano para o orientar. Isto é derivado do excesso de orientação da parte humana: “Senta”, “Deita”, “Fica”, “Faz isto”, “Não”, “Vai para ali”, “Quieto”, “Sai”, etc 
isto não significa que um cachorro ande por aí sem regras a fazer o que quer e até a colocar-se em perigo, significa que devemos medir bem os limites, mas não os do cão, os nossos! Assim como devemos medir muito bem o excesso de informação à qual o expomos. A socialização não precisa de uma lista onde pomos um visto e seguimos para o ponto seguinte, precisa sim de bom senso e consciência que estamos com um ser vivo que processa toda a informação que recebe e em excesso essa informação trará consequências.

Mais do que regras e orientação, um cachorro precisa de duas coisas na sua vida:

  • Estar calmo
  • Normalidade
E desenganem-se, não precisamos de ensinar um cachorro a estar calmo, eles sabem-no naturalmente. Qualquer cachorro ao estar num estado tranquilo percebe facilmente o que  fazer e faz o que está certo, para nós e para ele. É importante referir que os cachorros precisam de explorar, podemos ajudar observando, se o cachorro vai fazer alguma coisa que o ponha em perigo ou não seja adequada, então calmamente orientamos para outro foco que não o ponha em perigo, não precisamos de estar sempre a dizer “NÃO”. Mas para ser ainda melhor, basta criarmos um ambiente onde o cachorro encontre naturalmente estímulos que o interessem e satisfaçam as suas necessidades.

A educação e desenvolvimento de um cachorro assenta principalmente em dois pontos:

  • Criar normalidade nas situações
  • Calma

O resto acontece naturalmente e melhor do que tudo, o cachorro cresce, confia nas pessoas que o rodeiam e torna-se num adulto tranquilo, calmo, seguro e equilibrado.

Experimentem passar mais tempo com os vossos cães, uns minutos por dia sem fazer nada, apenas ali sentados ao lado uns dos outros, conversem em silêncio e depois vejam a diferença.

João Pedro

Educador Canino

Mania dos Cães – Educação e Treino Canino