Quando e como corrigir um cão

Por vezes pessoas perguntam-me como devem corrigir ou castigar o cão, para supostamente ele saber que fez mal.

Começamos pela parte do corrigir e castigar. São duas palavras diferentes, mas se procurarmos no dicionário o significado é praticamente o mesmo, no entanto ouvimos a palavra corrigir de uma forma mais suave. Por sua vez a palavra castigo tem um sentido mais duro, muitas vezes associamos a violência física. Daí ser muito comum ouvirmos alguns profissionais falar em correcções.

No que diz respeito a “mostrar ao cão que fez mal”. Os cães, como outros animais não humanos, não têm consciência do certo ou errado, têm sim consciência do seguro e do não seguro. Ao corrigir (castigar) um cão por ter feito uma asneira apenas lhe ensinamos que não é seguro fazer aquilo na presença daquela pessoa, na presença de outra pessoa ou quando não está ninguém há uma grande probabilidade de a “asneira” continuar a acontecer até que o cão perca o interesse naquele estimulo ou encontre outro mais interessante.

Ou seja, corrigir (castigar) o cão não resolve, não ensina, origina stress, medo e por consequência o cão opta por não fazer nada ou fazer o mínimo na presença daquela pessoa, o que muitas vezes nos faz acreditar que o cão aprendeu que não se fazem asneiras. Mas a verdade é que o cão não faz por medo do que lhe pode acontecer. 

O que é que nos leva a corrigir (castigar) um cão?

No ensino sempre houve tendência para castigar, lembro-me de na escola primária na hora do ditado, haver um castigo para quem tivesse mais de 3 erros: 1 réguada, 4 erros, duas, 5 erros três… E ainda por cima havia a tendência de a professora dizer que aqueles alunos eram burros, preguiçosos, não tinham capacidade de aprender etc. A verdade é que aquela professora era a verdadeira besta, não porque castigava mas porque não tinha qualquer empatia e não se sabia adaptar a cada aluno de forma a conseguir ensiná-lo, nunca são os alunos que estão mal, é quem ensina. Doa a quem doer!

No mundo dos cães não é diferente, não há réguadas, mas há pior, muito pior. E claro, há sempre quem diga: “Eu levei umas chapadas e isso não me matou”. Verdade, não matou mas transformou numa pessoa que não procura aprender ou ensinar, em vez disso quando não compreende um comportamento, não sabe ou não consegue passar uma mensagem fica frustrada e recorre ao castigo, seja fisico ou não. Há também aqueles “entendidos” que dizem: “O que lhe fazia falta era um par de estalos”, é exactamente o mesmo, não há empatia, não compreende um comportamento, não consegue passar a mensagem, fica frustrada e lá estamos novamente…Portanto pancada nunca ensinou ninguém.

Então como corrigimos um cão?

A melhor forma de corrigir é aprender, tudo! Desde o comportamento até como ensinar, ou seja, aprender sobre comunicação. Nos cães é muito simples, para corrigir um comportamento antecipamos, evitamos e orientamos o cão para o que pode fazer, as asneiras não vão acontecer!

Não é por um cão ter uma obediência fantástica, saber sentar, deitar, dar a pata e outros comportamentos desde cedo que vai ser um cão espectacular e obediente que nunca faz asneiras, pelo contrário, o melhor cão é aquele a quem apresentamos opções e damos a possibilidade de escolha, esta possibilidade de escolha é que torna o cão equilibrado, não a obediência e as habilidades.

E então vamos deixar o cão escolher?

Vamos! Vamos apresentar-lhe as possibilidades que são as correctas e as melhores (para ele e para nós) de forma a não ter necessidade de escolher as opções que não são as “certas” para nós. Esta parte não é assim tão simples e por isso se tiver dúvidas contacte-me.

É possível ensinar sem castigos e correcções?

É, mas exige aprendizagem, empatia, esforço e muita vontade de evoluir.

João Pedro – Educador Canino

Mania dos Cães – Educação e Treino Canino