Qual a melhor trela para o meu cão?

A trela é um mal necessário. Por um lado é necessária para manter o cão em segurança, por outro impede-o de se expressar livremente e de satisfazer os seus instintos e as suas necessidades.

Segundo a lei um cão não pode estar na via pública sozinho. Se estiver solto deverá estar de açaime, se não tiver açaime deverá estar com trela.  Não há excepções para “o meu cão não é perigoso”, “o meu cão sabe andar solto”, “o meu cão não faz mal”, “o meu cão obedece”, entre outras… De repente parece que  andam por aí demasiadas transgressões.

Então, se a trela é obrigatória e não queremos um cão de boca tapada (o que também o impede de se expressar e satisfazer os seus instintos) como damos a volta a esta questão? Simples!

  • Primeiro arranjamos uma trela que permita que o cão se sinta livre e ao mesmo tempo esteja seguro. 
  • Segundo, aprendemos a manusear correctamente a trela.  

Não vou falar no açaime, deixo esse tema para outra oportunidade.

Respondendo ao primeiro ponto: Arranjamos uma trela com um tamanho adequado, entenda-se por tamanho adequado uma trela com 2 metros, no mínimo. Se for maior melhor, mas sem exageros por questões de segurança. 

Então e a teoria que diz que o cão deve andar ao nosso lado? Está desactualizada e se não estivesse o passeio é do cão, portanto é para desfrutar, não para ir colado a quem o leva. É preciso entender a diferença entre passear o cão e desfilar com o cão, não somos militares, portanto passeamos o cão.

Este tamanho já é razoável e permite ao cão explorar quase livremente e satisfazer os instintos. Ao mesmo tempo pode comunicar-se melhor e caso tenha necessidade, afastar-se ou desviar-se de algum estimulo do qual tenha receio ou com o qual não queira interagir.

Para responder ao segundo ponto. Bom manuseamento de trela implica não haver tensão na mesma, se houver, que seja o cão a pôr, nunca nós. Nós funcionamos como “poste”. Braços encostados ao tronco para manter o centro de gravidade e não cairmos e jogamos com as pernas de forma a travar se for necessário. Em alguns casos, se a pessoa não tem força ou não consegue parar, pode agarrar-se a carros estacionados, postes, muros ou qualquer outro elemento da paisagem que seja suficientemente firme. Importa não se deixar rebocar. Quando o cão deixa de fazer tensão na trela avançamos.

Se houver necessidade de puxar o cão para o desviar de algum estimulo, puxamos a trela para um dos lados e nunca para trás. Desta forma estamos a ir de encontro ao comportamento do cão quando se quer apresentar a outro cão ou então a desviar-se de algum estimulo com o qual não queira interagir e nunca se sente encurralado. 

Atenção! É importante manter o cão em segurança. Devemos ter atenção e nunca dar trela suficiente para o cão ficar em perigo ou no caso de termos um cão com algum problema de comportamento, colocarmos pessoas ou outros cães em perigo. Entra o bom senso.

Em espaços abertos podemos usar uma trela com os metros que quisermos, principalmente se o cão gostar de se afastar e não responde bem quando chamamos. Trelas extensíveis…que sejam usadas como corda para estender roupa, podem-se recolher quando não são necessárias. Para passear cães não são seguras, partem com facilidade pelo desgaste, podem escorregar das mãos facilmente e depois de caírem o cão começa a correr para fugir da caixa plástica que o vai a perseguir, há casos de pessoas e cães que se cortaram quando ficaram enroscados no fio, têm sempre tensão (pouca, mas está lá) entre outras desvantagens. Por outro lado uma trela de 10, 15 ou 20 metros em cabo (de espessura proporcional ao cão) não apresenta estas questões e em caso de dúvida deixamos cair e o cão continua seguro e sem tensão.

Coleira ou arnês? Recomendo sempre arnês. Coleiras estranguladoras, de picos ou similares são desaconselhadas pelos danos que causam.

Tudo isto é a teoria, na prática poderia dar respostas a questões que possam surgir, se quiserem saber mais entrem em contacto clicando aqui.

João Pedro

Educador Canino 

Mania dos Cães – Educação e Treino Canino