Esta é a XS…

Esta é a XS, tem este nome porque quando chegou cá a casa era do tamanho da cabeça da Shaya… A XS não sabe sentar, deitar, dar a pata ou qualquer outro truque! Nunca lhe ensinei nada! Estranho não é? A verdade é que isso não lhe faz falta para nada e a mim muito menos. Não é por um cão sentar ou deitar a pedido ou saber fazer muitos truques que se vai portar bem ou deixar de ter problemas de comportamento. De que me serve ensinar um cão a sentar a olhar para mim de cada vez que aparece alguma coisa a que ele reage? Não serve de nada, o que lhe estou a fazer é transformá-lo num robot e a impedi-lo de aprender a resolver a situação como o faria naturalmente! Se lhe tivesse dado espaço e deixado aprender a resolver a situação ele nunca teria o problema! Hoje em dia os cães têm tantos problemas de comportamento porque os humanos os impedem de se comunicar e de resolver as situações com que se deparam, curiosamente são esses humanos que mais falam em “deixar o cão ser cão”, o que no meu conceito significa: “faz do cão um robot e ensina-o a não fazer mais nada que não seja olhar para ti…”. Se é para deixar o cão ser cão então vamos deixá-lo ser cão! Não quer isto dizer que o cão deve andar por aí num estado semi selvagem mas sim que deveríamos pensar se realmente é boa ideia dar tantas orientações, pedir tanta coisa, exigir tanto e acabar por fazer dos cães um seres completamente dependentes que não sabem resolver nada por eles ou cheios de problemas por não terem a possibilidade de ter um comportamento natural.

João Pedro

Mania dos Cães – Educação e Treino Canino

Ansiedade por separação ou ansiedade por presença?

Há cães que sofrem de ansiedade por separação e há cães que sofrem do que se pode chamar de ansiedade por presença… Por incrível que pareça há cães que só conseguem ter sossego depois de a família humana sair de casa e os deixar sozinhos! São cães que vivem normalmente em famílias que passam o tempo atrás deles a fazer-lhes tudo e mais alguma coisa, seja o bom (se é que podemos chamar assim) seja o mau. A comunicação com o cão é do pior tipo e o cão é sempre o culpado de fazer ou não fazer as coisas. Este tipo de família nunca é capaz de fazer uma auto análise e pensar um segundo no que se passa na cabeça do cão. Acredito que se trata de pessoas que estão convencidas que o cão enquanto embrião foi programado para saber viver num mundo que não é o dele ou provavelmente acreditam que o espermatozoide já saiu dos testículos do cão (pai) programado para saber o que elas querem ou o que o cão tem que fazer sem nunca terem tirado o rabo do sofá para lhe tentar ensinar ou compreender o que quer que seja. Na cabeça dessas pessoas “o cão tem de…”, “o cão não pode…”, “o cão devia…”, tudo é responsabilidade do cão, nunca delas… Se é fácil identificar este tipo de cães? É, infelizmente demasiado fácil, o que falta são pessoas que olhem para eles e os vejam…

João Pedro

Mania dos Cães – Educação e Treino Canino

Os cães difíceis…

Os cães chamados “difíceis” são os que mais nos ensinam.

Nunca podemos esperar que um cão chegue a uma casa e saiba desde logo o que está certo ou errado ou o que queremos dele sem nunca o termos ensinado. É normal que um cachorro ou até um cão adulto, chegue a uma casa nova e tenha comportamentos que não aceitamos, esses comportamentos são sempre causados por algo e esse algo não é o ser cachorro, o ter demasiada energia, o ser teimoso, o não aprender, a raça, a personalidade etc…

Mas não é destes casos que falo, falo daqueles cães que apenas por um motivo nos dão muitas “dores de cabeça”. Estes cães normalmente passaram por um episódio durante a sua vida que lhes trouxe algum problema ou vários. São cães que sofreram acidentes, maus tratos, foram negligenciados, em resumo estiveram com os humanos errados, pessoas de quem não interessa falar.

Acredito (e outras pessoas também) que estes cães sabem escolher a pessoa certa, aquela pessoa que não vai desistir deles e mesmo sem o saber estará a ajuda-los. A verdade é esta, há pessoas que ajudam os cães sem a mínima noção que o estão a fazer e também não sabem que foram escolhidas por eles para os ajudar.

Durante todo o processo a pessoa desespera, diz mal da vida e da sorte, fica sem saber o que fazer, pede ajuda, volta a desesperar, reclama, fica novamente sem saber o que fazer, volta a reclamar…e há uma coisa que nunca lhe passa pela cabeça, desistir daquele cão! E aquele cão sabia bem que aquela pessoa nunca iria desistir dele, por muito complicado que fosse o caminho, por isso a escolheu. É isto, há cães que escolhemos e há cães que nos escolhem!

No fim do processo (inconsciente) de ajuda, a pessoa olha para trás e de repente percebe que aquele cão difícil lhe ensinou uma montanha de coisas, que na verdade a ajudou a ver tudo de uma forma diferente, simples! Esse cão difícil ensinou aquela pessoa o que é não ter pena de si mesma, deixar de lado as dificuldades e olhar em frente, nunca desistir! E eu pergunto, quem ajudou quem? Ajudaram-se um ao outro durante o tempo em que as suas vidas se encontraram e os dois juntos passaram essa fase sem nunca desistirem um do outro.

Se temos um cão difícil nunca devemos desistir dele, não porque ele nunca desistiria de nós mas porque por algum motivo os nossos caminhos se cruzaram. Temos que olhar para esse cão e ouvir com os olhos (é mesmo assim) porque é nas suas atitudes, na sua forma de estar que vamos encontrar forças para o ajudar, para ele nos ajudar.

 

João Pedro

Mania dos Cães – Treino Canino

O mito das raças que temos que educar com pulso firme…

Dizem que há cães que têm que ser educados com pulso firme, que nunca devemos deixar que se fiquem acima de nós ou até que passem numa porta antes de nós…Que não devemos deixar os cães ir para o sofá…Que temos que mostrar sempre quem manda, quem é o líder…Dizem que o Pastor Belga Malinois é uma raça que está nesse grupo de cães…A minha nunca foi educada com pulso firme, nunca teve castigos (o que muitos treinadores chamam de correcções porque é importante dar um nome pomposo a certas coisas) dorme no sofá, dorme em cima de mim, passa as portas quando quer, nunca me tentei impor como líder de matilha ou coisa alguma e curiosamente ela nunca se achou acima de mim nem líder em lado nenhum e porquê? Porque essas coisas de líder e dominância só são uma preocupação na cabeça de alguns humanos, os cães nunca estiveram preocupados com isso e eu há muito tempo que fiz como eles, deixei de pensar nisso e o relacionamento com os cães tornou-se muito melhor…
Para educar um cão não é preciso mão firme, não são necessários castigos nem mostrar quem manda, basta mostrar as alternativas.

João Pedro

Mania dos Cães – Educação e Treino Canino

Parques caninos? Não obrigado!

Nesta altura é muito comum ouvir falar em parques caninos e praias para cães e no fundo tudo o que seja um local onde se possa juntar um número de cães para que possam conviver, no entanto apesar de defender que os cães devem conviver não sou adepto destes locais nem destes “ajuntamentos”. E porquê?

Se pensarmos com calma na questão e tentarmos ver as coisas do ponto de vista do cão muito provavelmente não vamos “ver” nada muito saudável. Senão vejamos, na maioria das vezes que encontro um grupo de cães a “conviver” num jardim (seja considerado parque canino ou não) o que vejo?
-Brincadeiras descontroladas
-Cães a procurar o seu espaço sem possibilidade de o encontrar
-Pessoas a insistir na apresentação de cães quando estes não estão interessados em interagir, muitas delas chegando ao ponto de agarrar um dos cães para que o outro cão lhe cheire o rabo e depois dizem muito naturalmente “é assim que eles se conhecem!”. É assim que eles se conhecem não! Eles conhecem-se se quiserem!!
-Pessoas a interferir nas brincadeiras e interações entre os cães
-Demasiada tensão entre cães muitas vezes provocada por falta de espaço ou demasiados cães e que muitas vezes acaba em lutas
-Pessoas a repreender cães por estarem a tentar ser cães
-Muitas vezes falta de higiene no espaço com as consequências que isso pode trazer
-“Treinadores de bancada” que é como quem diz, pessoas que fazem do cão uma ciência exacta (para não dizer objecto) e debitam uma série de teorias descabidas, desactualizadas e sem qualquer fundamento. E aqui entre nós são as pessoas que têm o cão com mais problemas…
-E mais algumas coisas que não me ocorrem agora…

É claro que os cães devem conviver com os da sua própria espécie, mas nunca de forma tão antinatural como nestes espaços. Um cão pode e deve ter um grupo de cães com quem convive, um grupo de cães que se conhecem, querem e sabem estar juntos e praticamente não precisam da intervenção de ninguém, isso é convívio saudável. Assim como é saudável um passeio, dessa forma o cão conhece novos ambientes, novos estímulos ao contrário do que acontece quando está limitado a um espaço. Na minha opinião os parques caninos são para as pessoas não para os cães. Ali as pessoas encontram-se falam do que querem, não têm necessidade de caminhar nem de se mexer muito e ficam convencidas que já passearam e socializaram o cão… Mas no fim de um dia de trabalho, numa folga ou fim de semana não é em nós que devemos pensar, é no nosso cão que esteve em casa, muitas vezes sozinho durante várias horas… Por isso parques caninos para mim, não obrigado.

Como é que poderíamos mudar isto tudo? Educando as pessoas para perceberem o que é um cão, perceberem as suas necessidades, como comunicam, etc. No entanto isto só poderá acontecer quando as pessoas tiverem abertura para procurar saber mais e deixarem de viver agarradas a ideias desactualizadas ou que alguém inventou a pensar no bem estar humano e não no bem estar do cão.

João Pedro

Mania dos Cães – Educação e Treino Canino